Hoje, recebi a responsabilidade de compartilhar a administração do blog Igreja do MEV com o Marujo Silas. O convite nasceu da minha frequente reclamação com o marasmo do blog, há meses sem atualização. Embora eu mesmo não tenha muito tempo disponível, estou mobilizando amigos para essa tarefa. Juntos, creio que poderemos renovar o blog e conquistar novos fiéis para a Igreja do MEV.
Para essa primeira postagem, traduzi a resposta do profeta Bobby Henderson a um hate-mail. Trata-se de uma seção do site oficial em que são publicadas críticas, rudes na maioria das vezes, à Igreja do Monstro de Espaguete Voador e as respostas do Profeta. Nesse caso, perguntava-se "O que exatamente você acha que vai provar com isso?" Para o autor do e-mail, que se declara ateísta, as ações da Igreja do MEV não passam de piadas de mau gosto, extremamente desrespeitosas, feitas com crianças que não podem entendê-las.
A resposta de Bobby é esclarecedora. Afinal, o que quer a Igreja do Monstro de Espaguete Voador?
"Não é nossa intenção ofender ninguém nem fazer zombaria. Apesar disso, percebo que algumas vezes as pessoas podem se sentir zombadas ou ofendidas.
Pode ser justo dizer que somos desrespeitosos. Concordo que a maioria dos pastafarianos não respeitam a noção de que a religião deve ser posta em um pedestal. Não achamos que uma ação explicada no contexto religioso deve, por esse motivo, estar isenta do escrutínio a que estaria sujeita em qualquer outro contexto. Religião não é passe livre para ideias e ações insensatas.
Concordo que não cabe a nós julgar aqueles que veem o mundo pelas lentes da religião. Mas tampouco nos cabe ignorar quando crenças pessoais se tornam ações públicas. Podemos aceitar que alguns escolham ensinar a seus filhos que a Terra tem 6000 anos e que os dinossauros são um mito. Mas se exigem que essas ideias sejam ensinadas em nossas escolas, não é mais uma questão de respeitar crenças pessoais.
Acredito que a ideia de que pessoas de mentalidade racional devem ser antirreligiosas seja errada. Se for preciso riscar uma linha que nos divida, gostaria que fosse traçada entre as pessoas razoáveis e as que não o são, e não entre religiosos e não-religiosos.
Uma coisa é ver o mundo através de uma lente, outra é agir como se essa fosse a única lente possível.
Acredito que não haja nenhum grupo mais tolerante com outros grupos religiosos ou não-religiosos que os pastafarianos, isso está fora de questão. A morte de marinheiros cristãos por piratas é uma coisa triste de ouvir para qualquer pessoa, estou certo disso. Minha esperança é que isso não aconteça mais. A pergunta difícil é: criticar, com base na fé, a decisão de se aventurar em áreas perigosas vai evitar situação semelhante no futuro? Eu não sei a resposta. Mas fico pensando quantos amigos e familiares gostariam de tê-los sacudido e dito "essa é uma ideia ruim, não faça isso". Essa é uma das questões complicadas -- essa linha entre respeito e preocupação."
5 comentários:
Ótima iniciativa de ajudar o marujo Silas a administrar o blog, vc só não disse seu nome! De fato, nossa Igreja precisa ser mais ativa no Brasil.
Quanto a carta, como sempre nosso profeta é muito esclarecedor: "Se for preciso riscar uma linha que nos divida, gostaria que fosse traçada entre as pessoas razoáveis e as que não o são, e não entre religiosos e não-religiosos.". No email citado, Tom nos acusa de hedonista pouco ambiciosos e diz que nossa fé é ridículo. Mas ridículo é criticar o conteúdo da fé dos outros. A nossa Igreja nunca criticou outras religiões em seu aspecto objetivo. Nossa crítica é, sim, quanto ao aspecto formal: a fé é por definição individual e não pode querer legislar na esfera pública, não pode se impor, ou seja, deva se manter no campo individual que ela circunscreve.
Há alguns dias nosso profeta publicou um vídeo bastante interessante no site de nossa Igreja, recomendo: http://vimeo.com/31543194
Ramen!
Corretíssimo, Botelho. Gosto muito quando ele diz que "uma coisa é ver o mundo através de uma lente, outra é agir como se essa fosse a única lente possível" e, acrescentaria, querer impor aos demais essa maneira de ver.
Meu nome é Vítor. Eu achava que o post ficaria assinado automaticamente, por isso não me preocupei.
Estou tentando ajudar o Silas, mas também não é fácil para mim conciliar todas as atividades do dia a dia com o blog.
Os comentários são sempre bem-vindos.
Abraço, Ramen.
Interessante o vídeo, mas a música é irritante e a voz do narrados fica apagada. De qualquer maneira, seria bom se alguém conseguisse fazer uma legenda e colocar no youtube. Vídeos são mais atrativos que textos para a maioria das pessoas. É sempre um bom meio de divulgação.
Olá! Gostaria de saber como funciona a Igreja no Brasil e como posso ser membro e casar através dela. Obrigada!
Olá Marianna, a IMEV no mundo todo não possui sede física e dificilmente é registrada em alguns países, a única sede oficial é virtual [venganza.org] e não requer nenhum registro, logo, basta dizer que é pastafariana e você já é uma de nós. Não temos reuniões regulares, a não ser quando em alguma cidade os fiéis em grande quantidade resolvam fazer festas e manifestações, digo, cultos e eventos.
Porém, para casar oficialmente é necessário um ministro autorizado, reconhecido e instruído pela igreja, e ainda há poucos no Brasil, basta perguntar no twitter @igrejadomev que alguns aparecerão pra ajudar. Da última vez, apareceram uns 5.
http://www.venganza.org/ordination/
Recomenda-se casar na praia, com todos vestidos de piratas, mas é claro, se quiser fazer diferente, quem somos nós pra julgar? Deuspaguete conhece o coração de cada um, e afinal de contas, o casamento é SEU e não de qualquer líder religioso :)
- Silas [um dos editores da IMEV]
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